Cenário I

Um príncipe e uma princesa passeiam felizes e de mãos dadas pelos jardins do castelo

Príncipe olhando apaixonado para a princesa:

– Que fim de tarde adorável para passear com a mais linda das princesas… Que pele tão macia tens, que cabelos tão sedosos, que perfume exalas…

Princesa igualmente apaixonada:

– E pensar que já amanhã é nosso casamento e seremos felizes para sempre!

 

Um bruxo mais mal-humorado que feio, mais carente que invejoso, com um toque de engraçado, observa de perto e comenta sem que o casal possa ouvir:

– Mimimi, mimimi, quem aguenta um casal de pombinhos apaixonados?! Argth!

E num tom de voz que os príncipes quase conseguem ouvir:

– Queria ver ela se apaixonar por ti, tivesses este nariz desse tamanho e ainda com uma verruga na ponta!

Num tom introspectivo:

– Humn, isso acabou de me dar uma ideia.

 

Cenário II

Casa do bruxo, muito desorganizada, papéis e objetos para todos os lados. Bruxo procurando algo:

– Eu sei que está aqui, em algum lugar…

Olhando para o público:

– Sim, eu sei que deveria contratar uma bibliotecária!

Fala para si:

– Mas quem aceitaria trabalhar para um bruxo… um bruxo mau. Sim, sou muito mal – tenta convencer-se.

E encontra um papel amarelado onde lê:

Para um príncipe em sapo se transformar

Basta pó de língua de cobra jogar

Numa noite de luar

Um beijo de princesa irá desencadear

O bruxo volta a vasculhar a casa, jogando tudo para todos os lados:

– Aqui está o pó de língua de cobra. Agora só falta o calendário para saber do luar… Onde está o maldito calendário?! Malditas sejam as bibliotecárias que sempre sabem onde está toda a informação! Ah, achei! Hoje! Hoje tem lua cheia!

 

Cenário III

O casal de príncipes agora está sentado no jardim do castelo contemplando o luar, de mãos dadas, sorridentes.

O bruxo se aproxima, furtivo, por trás, e joga sobre a cabeça do príncipe, um pó misterioso. Afasta-se com ar de satisfação, mas fica observando…

Os príncipes estão murmurando palavras doces e sorriem, quando a princesa beija a face de seu enamorado e ele passa a transformar-se em sapo. (Dois figurinistas vestem o ator, no palco, com figurino de sapo).

A princesa espanta-se:

– Meu Deus! Que horror. Que aparência horrível tens, estás… pegajoso e cheiras mal! Não posso me casar contigo! – Sai correndo e prostra-se chorando no canto do palco.

O príncipe-sapo aproxima-se triste e cabisbaixo, mas não a toca:

– Croac, croac…

 

Cenário IV

Amanhece no jardim. A princesa adormeceu de tanto chorar e o príncipe-sapo segue e a seu lado ainda mais triste:

– Croac, croac…

A princesa desperta e o olha com ternura:

– Até que vc não é tão feio, mas… uma princesa não pode casar com um sapo… – Triste.

– Croac, croac!  – diz animado o príncipe-sapo

– Encontrar uma maneira de reverter o feitiço? Mas como?! Ah, já sei, meu pai me disse que toda a vez que não sabemos algo, temos de procurar em uma biblioteca!

 

Cenário V

Na biblioteca, ambiente austero, tudo limpo e organizado. Uma bibliotecária com roupa clara, alinhada, com óculos, os recebe com tom acolhedor:

– Querida, você não pode trazer seu bichinho de estimação para a biblioteca…

A princesa:

– Não, este é o príncipe.

– Ah, me desculpe, já me disseram que preciso trocar os óculos! Então, em que posso ajudá-los?

– Queremos saber como transformar um sapo em príncipe!

– Um momento – enquanto folheia catálogos que parecem intermináveis – Aqui está:

Para um príncipe voltar a ser

Basta um beijo acontecer

Mas haverá de ser

No alinhamento entre Lua, Júpiter e Saturno ao entardecer

 

A princesa e o sapo-príncipe ficam eufóricos. A princesa pergunta:

 

– Quando ocorrerá o próximo alinhamento?

Bibliotecária com cara de “estão me explorando” esses dois, volta ao catálogo, enquanto murmura:

– Chegará um dia em que bastará perguntar ao Google, sem sair de casa… Pensando bem, que vida tão sem graça essa de não ir às bibliotecas! – e num tom de conquista, para os príncipes – Aqui está: em 21 de fevereiro de 2221!

– 2221?! Mas já nem estaremos vivos… – reclama desanimada

– Croac, croac…

– Não aceito essa resposta! Tem de haver outra maneira! As bibliotecas têm todas as respostas! – diz a princesa em tom desafiador

– Bem, então talvez esteja faltando a pergunta certa…

– Como assim?

Bibliotecária, enquanto volta a consultar seu catálogo:

Se amor houver para valer

Uma princesa em sapo pode se converter

Se um beijo de sapo receber

No dia de seu casamento ao entardecer

 

A princesa sai correndo apavorada…

 

Cenário VI

No jardim do castelo novamente, entra a princesa chorando, muito triste… O sapo-príncipe vem em seguida, igualmente triste. Ela diz:

– Como posso aceitar me transformar em sapo, se era exatamente de minha pele macia, de meus cabelos sedosos e de meu perfume que tanto gostavas?!

– Croac, croac, croac, croac!

– Sim, a verdade é que continuo te amando apesar desse aspecto… asqueroso, convenhamos! – a expressão se altera de nojo para sorridente.

Os dois sorriem… Ela se aproxima e lhe oferece o rosto para um beijo. Assim que ele a beija, começa a transformação. (Dois figurinistas vestem a atriz, no palco, com figurino de sapo).

Nisto vai passando o bruxo:

– Afê! Desisto, vai começar o mimimi outra vez!

A bibliotecária distraída esbarra nele, que diz mal-humorado:

– Vê se olha por onde anda!

– Ah, me desculpe, já me disseram que tenho de trocar os óculos…

– Eu estava mesmo precisando falar com a senhora… é que tenho uma papelada desorganizada e isso está atrapalhando minhas bruxarias… – enquanto olha o casal de príncipes-sapos apaixonados e felizes.

A bibliotecária o interrompe com ares de admiração e encantamento:

– Mas que nariz tão lindo o senhor tem… e ainda com uma verruga na ponta! Que charmoso!

O bruxo muda completamente de postura, alinhando-se e tomando um ar de galanteio:

– A senhorita acha mesmo? Bem, eu…

Ela o interrompe novamente:

– Importa-se que lhe desse um beijinho na ponta do nariz?

– Ah, por favor – aproxima-se com ar de satisfação.

Mas imediatamente antes de acontecer, ele dá um passo atrás:

– Espere aí! Se um beijo transformou príncipes em sapos, o que pode acontecer com um bruxo?!

Bibliotecária com ar de esperta:

– É sempre um risco! Um beijo tem o poder de transformar qualquer um em um ser muito melhor!

E o beija na ponta do nariz.
<Licença Creative Commons
O trabalho Os sapos, o bruxo e a bibliotecária de Jussara Borges está licenciado com uma Licença Creative Commons – Atribuição-NãoComercial-CompartilhaIgual 4.0 Internacional.>

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The WordPress.com stats helper monkeys prepared a 2013 annual report for this blog.

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Bibliotecas, arquivos e comunicação em tempos digitais.  Boas reflexões!

A pouco recebi a melhor notícia do ano (até agora ;)) Meu orientador do doutorado (prof. Othon Jambeiro), ligando de Curitiba para dizer que minha tese recebeu o Prêmio Compolítica de Melhor Tese!!!!

Como me sinto?! Surpresa, alegre e realizada! 😀

O Grupo de Estudos de Políticas de Informação, Comunicações e Conhecimento (Gepicc) vem desenvolvendo pesquisas desde 1995, inicialmente sobre regulação de infra-estruturas, tecnologias, produtos e serviços de informação e comunicações. Incluídos nesta temática estão estudos principalmente sobre políticas de informação e comunicações; democratização da informação, das comunicações e da cultura; economia política da comunicação; Sociedade da informação. Sobre esta temática seus participantes apresentaram em eventos científicos e publicaram em revistas acadêmicas, capítulos de coletâneas e livros, dezenas de trabalhos.

Os enfoques predominantes nesta produção intelectual são democracia, cidadania e participação social, sempre vinculados às tecnologias de informação e comunicação. Na medida em que novas configurações tecnológicas, econômicas e políticas se estabeleceram, particularmente no início do século XXI, o grupo ampliou suas áreas de interesse e passou a abranger outras áreas de estudo, com destaque para: inclusão e letramento digital; competências infocomunicacionais; governo eletrônico; mídias contemporâneas e cultura digital; democracia digital. Mais recentemente o Gepicc vem se preparando para direcionar sua atenção também para o campo das políticas, estratégias e gestão de documentos, da informação e do conhecimento, notadamente em aspectos como: inovações tecnológicas e gerenciais e suas consequências políticas, econômicas e sociais; propriedade intelectual; informação, conhecimento e inovação; processos de geração, gestão, difusão, uso, segurança e preservação da informação em ambientes digitais; gestão dos ativos intangíveis,  aprendizagem organizacional e redes sociais. Suas pesquisas envolvem, além de pesquisadores permanentes, doutorandos, mestrandos e bolsistas de Iniciação Científica.

Site do Gepicc

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Como falar de sustentabilidade com essa cultura de consumo?

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

The new Boeing 787 Dreamliner can carry about 250 passengers. This blog was viewed about 1.600 times in 2012. If it were a Dreamliner, it would take about 6 trips to carry that many people.

Clique aqui para ver o relatório completo

Não se sabe se é uma dessas piadas que acabam sendo folclore ou se é verdadeira, mas muito pertinente para a situação de Salvador.

http://revolucionaria.files.wordpress.com/2009/11/justica.jpg

Una  mañana cuando nuestro nuevo profesor de “Introducción al Derecho” entró en la clase lo primero que hizo fue preguntarle el nombre a un alumno que estaba sentado en la primera fila:  
– ¿Cómo te llamas?

Me llamo Juan, señor.

¡Vete de mi clase y no quiero que vuelvas nunca más! – gritó el desagradable profesor.   Juan estaba desconcertado.  Cuando reaccionó se levantó torpemente, recogió sus cosas y salió de la clase.   Todos estábamos asustados e indignados pero nadie dijo nada.

Está bien. ¡Ahora sí! ¿Para qué sirven las leyes?… Seguíamos asustados pero poco a poco comenzamos a responder a su pregunta: “Para que haya un orden en nuestra sociedad”   “¡No!” contestaba el profesor   “Para cumplirlas” “¡No!”   “Para que la gente mala pague por sus actos” “¡¡No!!   ¿Pero es que nadie sabrá responder esta pregunta?!”…  “Para que haya justicia”, dijo tímidamente una chica.   “¡Por fin!  Eso es… para que haya justicia.   Y ahora ¿para qué sirve la justicia?”

Todos empezábamos a estar molestos por esa actitud tan grosera.  Sin embargo, seguíamos respondiendo:  “Para salvaguardar los derechos humanos” “Bien, ¿qué más?”, decía el profesor. “Para discriminar lo que está bien de lo que está mal”… Seguir… “Para premiar a quien hace el bien.”

Ok, no está mal pero… respondan  a esta pregunta  ¿actué correctamente al expulsar de la clase a Juan?…. Todos nos quedamos callados, nadie respondía.    Quiero una respuesta decidida y unánime.

¡¡No!!- dijimos todos a la vez.

¿Podría decirse que cometí una injusticia?

¡Sí!

¿Por qué nadie hizo nada al respecto?  ¿Para qué queremos leyes y reglas si no disponemos de la valentía para llevarlas a la práctica?  Cada uno de ustedes tiene la obligación de actuar cuando presencia una injusticia.  Todos.  ¡No vuelvan a quedarse callados nunca más!   Vete a buscar a Juan – dijo mirándome fijamente.

Aquel día recibí la lección más práctica de mi clase de Derecho.

 
Cuando no defendemos nuestros derechos perdemos la dignidad, y la dignidad no se negocia. 
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