Seria bom se a gente pudesse escrever uma tese como quem escreve um conto… uma ideia na cabeça e teclado em ação, solto, sem referências, sem encadeamento lógico, sem evidências, sem linearidade, ideias ao vento…

Mas afinal, acabamos todos conformadinhos, enformadinhos, dentro dessa grande fôrma que é o pensamento racional. E aprendemos de tal forma, que  acabamos querendo levar essa racionalidade para a vida e… sinto muito, mas a vida é tão irracional, ilógica e incerta, que não há doutor que não curve-se ao inexplicável.

Amar é inexplicável, irracional, ilógico, incerto e, atualmente, fora de moda; coisa de tolos, imaturos, irresponsáveis, desocupados e toda sorte de rejeitados socialmente. E a humanidade luta para não amar, porque os que se permitem amar, os que baixam a guarda são os que saem feridos, magoados, ressentidos, humilhados…  Sim, é verdade.

A solução? Não a tenho. Meus anos de condicionamento racional e lógico levam-me a processar dados e informações, mas quando incluo a variável emoções… o sistema todo entra em colapso. Estou cansada de lutar contra mim, “vou me entregar como um soldado cansado e faminto”.

Sinto-me como se corresse para um precipício. Tenho a noção da queda no final, da dor, da morte. Ah, mas esse ar que bate no meu rosto e enche meus pulmões a tanto secos… essa felicidade embriagadora que toma conta de todos os sentidos… essa imensidão que finalmente dá espaço para meu pégasus abrir as asas! Que venha o precipício, e que seja belo e eterno enquanto dure.

 

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