RESUMO
Com a potencialização de acesso à informação e comunicação possibilitados pela internet, seu emprego em processos democráticos tem sido pesquisado sob diversos aspectos. No entanto, poucos estudos investigam como, de fato, pessoas e organizações utilizam os recursos digitais para a participação política. Este trabalho discute o emprego que organizações da sociedade civil dão à Internet, com ênfase nas suas ações de participação política. Os procedimentos metodológicos envolveram levantamento bibliográfico sobre os temas que permeiam o trabalho e entrevistas com 44 gestores de organizações em Salvador. Os resultados apontam que: (i) os principais usos da Internet estão relacionados à manutenção de contato constante com os pares e também à busca de informação; (ii) a Internet propiciou a renovação de algumas formas de participação política – a exemplo dos abaixo-assinados – e a emergência de novas, como o ciberativismo.
Texto completo

Minha tese foi recomendada para ser editada para livro eletrônico (Edital e-livro da UFBA): https://sapi.ufba.br/sapi/Welcome.do

Novo artigo publicado!
Resumo:
Para a maioria dos cidadãos, a participação
política na democracia se dá por meio do voto
em eleições periódicas. Essa compreensão de participação,
no entanto, vem sendo pressionada tanto
por discussões teóricas, que defendem o desenvolvimento
da democracia pelo aprofundamento da
participação, quanto por deficiências crescentes dos
poderes públicos no atendimento das necessidades
sociais. Em decorrência, práticas participativas inovadoras,
que desafiam os conceitos estabelecidos,
têm estado cada vez mais presentes na atuação de
organizações da sociedade civil. Como um agir eminentemente
coletivo, a política democrática tem encontrado
em associações voluntárias da sociedade
espaços privilegiados para a interlocução, discussão
e apoio para causas de interesse público. Este
trabalho discute as formas de participação política
praticadas pelas organizações da sociedade civil em
Salvador, Bahia. Os procedimentos metodológicos
envolveram levantamento bibliográfico sobre os
temas que permeiam o trabalho e entrevistas com
44 organizações da sociedade civil em Salvador. Os
principais resultados apontam que: (i) a observação
da participação política entre organizações da sociedade
civil requer novos padrões de análise que
superem os tradicionais fatores: “participação eleitoral”,
“identificação partidária” e “confiança nas instituições”;
(ii) esses novos padrões de análise devem
agregar àqueles fatores a existência de novos atores
atuantes e interessados pelo cenário político; (iii)
dentre as principais formas de participação política
encontram-se aquelas alinhadas com os conceitos da
chamada democracia deliberativa, a exemplo da valorização
dos espaços de discussão pública, como os
fóruns; (iv) há mudanças nas formas de participação
política das organizações, principalmente no sentido
do incremento e variedade como se manifestam.
Artigo completo

Quando as crianças vão embora, quando o silêncio chega, eles começam a aparecer… Alguns vão chegando devagar, outros aparecem de repente. Outro dia, abri uma gaveta e o Jere saiu de lá, meio amassado, sacudiu o pó, deu-me um sorrisinho e foi falar com o Paulinho.
No início, eu achava que eram só lembranças, mas aos poucos percebi que existiam independente de mim. Fiquei assustada e liguei para a Mary. Felizmente ela estava muito bem. Enganei-me e engana-se quem pensa que fantasmas são de mortos.
Então, já que estavam todos aqui, tentei me aproximar, puxei conversa, mas invariavelmente, eles me ignoram. Alguns até me olham, fazem um esforço, mas vejo que não me veem ou não me reconhecem. Outros me veem, mas com tal desdém que até acho que preferiam não reconhecer. Semana passada, perdi a paciência e explodi: “Se não querem falar comigo, por que estão aqui?!” Numa rara ocasião em que obtive alguma resposta, o Rocelito apontou o dedo bem no meu nariz: “Porque você nos trouxe aqui!” Ainda tentei argumentar que nem todos, afinal a Regina de 16 anos, magérrima e com cabelos longos, não era eu exatamente que tinha trazido, mas ele já estava emburrado sentado lá fora e não me deu ouvidos. Fora ele, no entanto, os outros parecem muito à vontade: a Sandra e a Pati tornaram-se boas amigas e toda vez que me aproximo, disfarçam e caem fora. Já estou com ciúmes. Também há casais inusitados: peguei o Nei e a Luziene num beijo cinematográfico, preparei um escândalo, mas me contive, considerando o ridículo da situação.
Mas ontem a noite foi demais: abri a porta de cozinha e me deparei com todos sentados ao redor da mesa, jogando canastra. Puxa, por que não me chamaram?! Resolvi abrir o jogo: “Olha só, eu também prefiro a Ju que vocês conheceram, ta bom?! Concordo que ela era mais decidida, mas esperta, mais corajosa, mais forte, mais…”. Foi quando a Adriana olhou para a pessoa a sua frente e disse: “Ju, se você não estivesse aqui, podia jurar que ouvi tua voz lá de dentro”. Levei um susto ao ver a Jussara de vinte e poucos anos, os cabelos num grande rabo de cavalo, os dentes tortos, uma espinha no queixo. Virou pra mim e sorriu um sorriso tão sincero que eu já não seria capaz. Tive impulso de abraça-la, mas o Pasquim latiu e me distraiu. No segundo seguinte, todos haviam desaparecido.

15/02, 4h38 da manhã – sou acordada por um bêbado descornado berrando no meio da rua :S Pensei em pôr em ação meu arsenal de ovos voadores, mas algo me chamou a atenção no meio da ladainha… Apesar daquela enrolação toda de conversa de bêbado, ele falava de um portuga… Portuga?! Era isso mesmo? Pois, juntando os pedaços desconexos, consegui entender que a criatura afinal estava externando sua dor: havia sido trocado por um português. Pronto, já rolou uma certa identificação! Senão com o bêbado, pelo menos com o enredo. “Sim – disse baixinho de minha sacada – esses portugas são mesmo danados” 😛
5h14 e a ladainha a pleno vapor… pensei seriamente em levar um dicionário para ele, pq a essas alturas o vocabulário estava limitado. De qualquer forma, já tínhamos os personagens e argumentos bem definidos: o portuga era “o vagabundo” e a ex era “a otária”. O argumento principal: a otária iria sustentar o vagabundo. Bem, não dava para ouvir a versão da mulher (ela, afinal, entrou em cena), mas fiquei pensando que, de qualquer forma, entre um suposto vagabundo e um barraqueiro???
Contudo, apesar da insônia forçada, tive uma ponta de dó da criatura. Ele ainda a amava… Repetiu tantas vezes “Eu não gosto mais de vocêêêê” que ficou evidente a dor que sentia.
5h31 Várias janelas abertas e ninguém chamava a polícia. Talvez pq ela não viria mesmo (1ª noite de carnaval!), talvez pq gostassem do circo (mas às 5h da matina?!), talvez pq o carnaval seja mesmo o período socialmente aceito para exorcizar publicamente os demônios. E ninguém me avisa?!
Enfim, como ninguém fazia nada e o bêbado tinha um fôlego invejável, às 5h45 São Pedro derrubou uma chuva torrencial! As janelas foram se fechando, o bêbado afogado (no álcool, na dor, e agora na chuva) subiu a Oito de Dezembro a passos largos. Talvez estivesse mais leve: menos um demônio a lhe pesar nas costas.

Resumo: Em ritmo crescente, pessoas e organizações valem-se de recursos disponíveis no – ou acessáveis a partir do – ambiente digital para resolver questões de seu interesse. Isto exige a mobilização de competências para procurar e trocar informações, e também para interagir com outras pessoas nesses ambientes. Neste artigo, a partir de revisão de literatura, empreende-se uma discussão que tem como alvo: 1) a terminologia em torno do conceito de competências infocomunicacionais; 2) o próprio conceito; 3) uma proposta inicial para relacionar as competências inerentes ao ambiente digital. Considera-se que podem ser organizadas em termos de competências operacionais, competências em informação e competências em comunicação.
Palavras-chave: Competências infocomunicacionais; Competências em informação; Competências em comunicação; Ambientes digitais; Internet.

Artigo completo

Este trabalho discute o emprego que organizações da sociedade civil (OSC) dão à Internet nas suas ações de participação política. Os procedimentos metodológicos envolveram levantamento bibliográfico sobre os temas que permeiam o trabalho e entrevistas com 44 gestores de OSC em Salvador. Os resultados apontam que: 1) os principais usos da Internet estão relacionados à manutenção de contato constante com os pares, com os quais se articulam para a promoção e construção de políticas públicas, e também à busca de informação; 2) a Internet propiciou a renovação de algumas formas de participação política – a exemplo dos abaixo-assinados – e a emergência de novas, como o ciberativismo e o uso de blogs e redes sociais para denúncia de irregularidades e troca de experiências além-fronteiras.
Texto completo

 

Escrever uma tese é montar um quebra-cabeça sem fim: no início temos apenas uma noção, depois vai-se buscando peças ora na pesquisa de campo, ora na literatura. Às vezes parece que chegamos a um beco sem saída,  precisamos de um tempo, mas quem consegue desistir de um  bom quebra-cabeça?

Realizar um trabalho científico é,  a priori, uma atividade racional, livre de emoções. Ou deveria ser, ou poderia ser, ou até é para alguns.

O fato é que, para mim, está carregada de sentimentos. Cada frase, cada palavra, cada análise carrega um desejo de fazer o melhor; de escolher a melhor forma de tratamento, de comunicação, de apresentação.

Por isso o esforço redobrado para reconhecer um erro, um equívoco: além do retrabalho necessário, há o sentimento de perda – da relação construída com o objeto, do texto cuidadosamente edificado – e de imposição de um outro – uma outra análise, uma outra redação. Você já construiu uma relação de carinho e cumplicidade com o tema “assinatura de manifestos”, mas o tratamento dos dados estava equivocado e a “conscientização de cidadãos” se impõe no lugar do primeiro. Então, tenho um dia para me desapaixonar do primeiro e, pelo menos, me relacionar com o segundo!

E nem estou falando da banca… em que vão criticar tudo e nem vou poder dizer: “olha aqui, vá cuidar da sua ´participação em discussões´ que dessa aqui conheço eu!”

Uma tese fica pelo menos 4 anos com a gente, dia e noite, sábado a noite e domingo pela manhã; dormimos juntas e às vezes a respingo com creme dental; conheço cada uma de suas vírgulas, mas ela mais que me conhece, me denuncia, expõe minhas fraquezas e meus limites.

Sim, minha linda, mas agora vou ter de cortar um pedaço seu e reconstruir em cima. Saiba que dói mais em mim…

Você tem 28 anos, trabalhou desde os sete: debulhando milho na roça, cuidando de criança, etiquetando preços sem parar (lembram do período inflacionário?), estagiária, professora, bibliotecária… Vinte anos depois pensa “chega, vou relaxar na Bahia”. Larga emprego-casa-carro-família-amigos e vai querer ser pesquisadora com uma bolsa do governo. No primeiro semestre você descobre que tem que ter dedicação exclusiva, mas não quer dizer que o Estado vai bancar a sua façanha (a de querer fazer ciência neste País). Pela primeira vez você pensa que fez uma cagada em inventar esta história de mestrado. “Vou desistir”. Deus, que é um cara muito gozador, faz aparecer uma bolsa do nada. Bom, vamos pular a parte de procurar lugar para morar, se achar na cidade, descobrir que baianos (como gaúchos, cariocas, maranhenses) também são sete-um, mudança de móveis, assistir aulas, dar aulas, natação, ufa! Acabou o primeiro semestre. Entre mortos e feridos, dois trabalhos por entregar. O primeiro: parto normal. O segundo: a fórceps, mas sai. Segundo semestre começando. Mas já! Nem acabei os trabalhos do primeiro! Problema teu, cara-pálida. Metodologia de pesquisa: Kuhn, Bacon, Locke, Descartes, Kant, Marx. Tecnologia da Informação e da Comunicação: “Com qual livro da bibliografia vamos começar?” “Estes três para próxima aula, sim?”. Informação e Gestão do Conhecimento. Pesquisa Orientada. Seminário de Pesquisa em Andamento. 4 horas por disciplina na semana, com as leituras prontas. Ah, não esqueça que você ainda dá aula em duas instituições porque só com a bolsa, aquela que Deus deu uma forcinha, você tem que escolher entre ter energia elétrica ou água. E você achava que ia relaxar na Bahia! Hahaha! Pela segunda vez, você pensa que fez uma cagada em inventar esta história de mestrado. Mas Deus é manhoso, lembra? Você tira dez de cara no primeiro trabalho, teus alunos adoram tua aula e você já fez amigos. Pronto, não tem volta. Mas e a saudade? O que você faz com a saudade? Como aquele pequeno corte no dedo e tudo pega ali, tudo te faz lembrar! Bom, aí não tem jeito: você pega uns versos do tio Mário e vai pra praia do Porto da Barra. Mas hoje é quarta-feira e você tem que fazer isto e mais aquilo e aquele outro! Desculpe, gaúcho/a é guerreiro, sim, mas tem algo a que ele não pode resistir: um pôr-do-sol no Guaíba, no Porto da Barra e os versos do Quintana…

Essa lembrança que nos vem

Essa lembrança que nos vem às vezes…

Folha súbita

Que tomba

Abrindo na memória a flor silenciosa

De mil e uma pétalas concêntricas…

Essa lembrança… mas de onde? De quem?

Essa lembrança talvez nem seja nossa,

Mas de alguém que, pensando em nós, só possa

Mandar um eco de seu pensamento

Nessa mensagem pelos céus perdida…

Ai! Tão perdida

Que nem se possa saber mais de quem!

Mário Quintana

agosto de 2003